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Fotografia Contemplativa e Mindfulness

Encontradas em diversas tradições culturais e filosóficas, o conceito e as práticas de Mindfulness (“Atenção Plena”) têm sido cada vez mais integradas na prática clínica contemporânea, principalmente na psicologia e medicina.

Mindfulness pode ser entendido como um estado mental baseado na experiência direta do momento presente, com consciência plena, e atitude aberta e não-julgadora a cada instante. O estado mental de mindfulness é uma alternativa a um estado mental bastante habitual nos dias de hoje, baseado na desatenção (“piloto automático”) e na reatividade excessiva em situações do cotidiano.

Segundo Jon Kabat-Zinn, um dos responsáveis pela “ocidentalização” das práticas de mindfulness com foco na saúde, “Mindfulness é a simplicidade em si mesmo. Trata-se de parar e estar presente. Isso é tudo”.

Para se “experimentar” e vivenciar o momento presente podem ser utilizadas as práticas ou exercícios de mindfulness, baseadas no treinamento da atenção plena por meio de algumas “âncoras” para a observação consciente, como a própria respiração, ou as sensações e movimentos corporais.

Fotografia Contemplativa como Mindfulness

Podemos entender a Fotografia Contemplativa como uma prática Mindfulness, pois compartilha de todos os conceitos básicos, como atitude curiosa, aberta, não julgadora e, acima de tudo, sair do “piloto automático”. Dessa forma a prática da meditação Mindfulness pode contribuir muito para a Fotografia Contemplativa pois já conta com amplo referencial teórico e prático, exercícios e grupos de pesquisa.

Fotografia Contemplativa e Mindfulness buscam a simplicidade, que é uma solução para a complicada vida moderna. Ter atenção aos pequenos passos pode ser mais importante que as “grandes coisas”. O simples nem sempre é fácil, mas é essencial a busca da clareza, do minimalismo, que são formas de sintonia com o mundo, com a vida.
Ambas as práticas também mostram que precisamos ir mais devagar, aproveitar bem o que está ao nosso alcance, sem ter pressa de aproveitar tudo. As pausas são parte da vida, e temos feito cada vez menos pausas. A experiencia como conhecimento decorre dessa pausa.

Referências:
BONDIA, J.L. Notas sobre a experiência e o saber da experiência. Rev. Bras. Educ., n.19, p.20-8, 2002.
Demarzo, Marcelo & García-Campayo, Javier. Manual Prático de Mindfulness: Curiosidade e Aceitação. Editora Palas Athena (2015).
GALLIAN, Dante Marcello Claramonte. Dá, pois, a teu servo um coração que escuta. Blog do LabHum, 2009 Disponível em: http://labhum.blogspot.com/2009/12/da-pois-teu-servo-um-coracao-que-escuta.html
KARR, Andy e WOOD, Michael. The Practice of Contemplative Photography: Seeing the World with Fresh Eyes. Shambhala Publications, Boston, 2011.
Site: Seeing Fresh - Contemplative photography by Andy Karr

(Artigo original: 2014 / Revisado em julho de 2018)

Yuri Bittar, por Fabio Uehara

Sobre o autor: Yuri Bittar

Yuri Bittar é designer, fotógrafo e historiador. Atua como designer gráfico, e desenvolve cursos de fotografia, exposições e as saídas Fotocultura, além de pesquisas sobre humanização no ensino da saúde. Através da história oral, da fotografia, da literatura e outros recursos, tem buscado criar projetos mais próximos ao humano e que contribuam para a melhora da qualidade de vida.

Contato: contato@fotocultura.net

Site: http://www.yuribittar.com